Nicholas e Kristen Stewart conversaram com o site Vulture sobre Equals, aprender falas e suas carreias. Confira a entrevista abaixo:

Em Equals, novo filme de Drake Doremus, Kristen Stewart e Nicholas Hoult interpretam personagens profundamente reprimidos vivendo em uma sociedade futurista onde todas as emoções foram banidas – um problema, desde que os dois começam a se apaixonar um pelo outro e precisam manter seu amor em segredo.

A escalação funciona como um pontapé, já que esses atores não tem problema algum em expressar-se fora das telas: Stewart, em particular, é tão sincera e gosta de usar suas emoções em sua manga que o ato de coloca-la em uma sociedade sem emoções contem um suspense inerente. Não faz muito tempo, Vulture se encontrou com os dois para uma conversa sobre o filme e sobre seu modo de agir com a fama.

Nick, eu ouvi dizer que quando você assistiu Equals pela primeira vez, você se sentiu como um voyeur enquanto observava você se apaixonando pela Kristen. Drake foi capaz de persuadi-lo a fazer coisas que talvez você não estivesse ciente?

Hoult: Na época, eu provavelmente perceberia o que estava fazendo. Mas não no roteiro, não é algo que você planejava fazer, é algo muito…

Stewart: Passageiro.

Hoult: E então você não pensa mais sobre isso, você não se joga sobre isso. Não até um ano depois, quando você está na cabine de ADR e você se assiste fazendo algo e pensa: “Wow, isso parece ser a vida real. Eu não deveria estar assistindo isso.”

Isso parece ser uma vitória, quando você consegue se surpreender dessa maneira?

Stewart: É estranho, porque nós interpretamos pessoas que são simplificados e despojados, nós somos nós mesmos nesse filme. Sem qualquer desenvolvimento social ou idiossincrasias, a versão mais real de estar vivo é o que estamos tentando fazer – então, ao assistir isso, eu não me sinto como se estivesse assistindo outras pessoas. A razão de ser surpreendente são as pequenas quantidades de creme que cobrem as coisas que passaram despercebidas por nós no momento. Normalmente nós levamos crédito por isso, mas nesse caso, nós ficamos: “Whoa Drake, obrigada por nos colocar nesse caminho.”

Vocês são bons em assistir suas performances em filmes?

Hoult: Eu particularmente não sou um fã.

Stewart: Sim, ele não gosta.

Hoult: Eu sempre penso que poderia ter feito melhor ou diferente. Aprendizagem é 20/20, certo?

Você é melhor nisso, Kristen?

Stewart: Tecnicamente, eu sou melhor isso porque eu faço mais. Isso completa um processo para mim. Eu venho tendo essa vontade de fazer filmes desde sempre e eu quero dirigir e escrever e continuar atuando para sempre, então isso me faz melhor em assistir o desempenho. É esclarecedor, e não de uma forma técnica – não é tipo: “Oh, eu vi meu rosto fazer isso e eu sei como chorar na tala.” É mais como, se você consegue correlacionar a experiência de fazer um filme ao produto final, isso afeta o modo como você ira continuar desse ponto. Eu quero me perder em um papel, eu quero estar completamente atraída por razões naturais e não considerar uma audiência, mas ao mesmo tempo, eu realmente me importo se o filme é bom. Eu gosto tanto do processo de fazer um filme que não terminá-lo não faria sentido.

Então, até que ponto você se sente cúmplice no final de Equals? Drake deixou você participar do processo de pós-produção?

Stewart: Absolutamente não. [Risos.] Eu sei que ele tem um editor que ele ama, mas ele realmente é do tipo que edita sozinho em sua casa em Los Feliz. O tempo inteiro, eu ficava: “Ele está apenas alguns quarteirões de mim agora,”, mas eu não falei com ele por uns meses depois que fizemos o filme. Haverá momentos onde eu estarei ligando para os diretores tipo, “Hey, qual é a boa? Posso ir dar uma olhada nas coisas? Você pode me dizer com o que você está animado, o que funcionou e o que não funcionou e qualquer coisa que você aprendeu nesses meses que passamos juntos? Qual é o problema?” Mas eu nunca liguei para o Drake. Eu estava exausta depois que gravamos, e não era algo que eu queria controlar. Mas assistindo, eu vi o que levou cada pessoa – eu, Drake, John o diretor de fotografia, Nic – a fazê-lo. É uma sopa. O filme é a porra de uma tigela de sopa. Drake não controla tudo, mas ele infunde a sua vibe de uma forma tão natural, eu sou uma grande fã. Então eu não iria querer afetar isso. Eu não iria ligar e dizer, “Hey, não se esqueça disso, no caso de você não ter visto.”

Você já fez isso com outros diretores?

Stewart: Sim, com pessoas que eu sinto que não me viram. Mas eu me senti visível perto do Drake e Nick. Eu nunca ficava “Você sabe o que eu quero dizer?” Sim, é claro que eles sabem. Foi feito. Não dito.

O quanto Equals foi improvisado na hora?

Hoult: Você tinha um roteiro, mas então Drake falava, “Nah, não diga isso.” Eu percebi que eu sou muito acostumado a saber as falas e me desligar um pouco.

Stewart: Eu nunca sabia a porra das minhas falas. Mesmo no filme do Woody Allen, eu não sei minhas falas.

Hoult: Sério?

Stewart: Mm hmm.

Hoult: Como isso funciona? O que acontece?

Stewart: Eu aprendo rápido se for necessário, mas tipicamente, eu acho que é melhor encontrar ou dizer algo um pouco diferente. Se você colocar de modo certo, vai funcionar, e é mais fácil se você está interpretando alguém parecido com você. No filme do Woody Allen, era mais difícil porque eu estava interpretando uma garota que era o oposto de mim, mais adorável, mas uma vez que eu a encontrei, nós podíamos improvisar dentro da retórica de seus filmes, que é louco porque ele é muito particular. O que eu estou dizendo é, aprender as falar fica no meu caminho, mas se você não souber você tropeça. É um equilíbrio. Para ser honesta, às vezes eu me fodo com isso. Eu fico tipo: “Oh merda, eu não sei as minhas falas!” [Risos.]

Hoult: Você já esteve em um filme onde o diretor disse: “Não, fale palavra por palavra?”

Stewart: Uma vez. Com Kelly Reichardt.

Para seu filme Certain Women?

Stewart: Sim.

Hoult: Era tipo com Aaron Sorkin, onde você tinha que falar tudo, ate as marcas de pronunciação?

Stewart: Ela nunca disse isso no começo, então eu não estava preparada para isso quando cheguei ao set. Eu literalmente dizia “o” em vez de dizer “é”, apenas a melhor mudança para parecer como algo que eu iria dizer, ela ficava: “Oh, um, isso foi ótimo, mas na verdade, as palavras são assim.” “Oh, okay. Porra. Eu não tinha percebido. Bom saber.” Ela gosta das palavras. Ela as escreve de certo modo, e ela gosta delas. Eu não acho que ela percebe o quanto gosta das palavras. Se eu disse isso para ela, ela vai ficar “Não, eu não!”. Mas ela gosta.

Hoult: Você achou isso restritivo?

Stewart: Sim, sim. Mas ao mesmo tempo, eu acho que isso me tirou de perto da “Kristen”, e isso foi bom. Ela não me contratou para isso. As vezes eu sou contratada para isso, é o que serve a melhor parte, ser totalmente natural. Mas essa garota [em Certain Women] foi diferente. Eu tenho esse ligeiro sotaque…

Hoult: E o ritmo da fala pode mudar tudo.

Stewart: Exatamente. É o ritmo, sim.

O mundo de Equals, onde você deve sufocar si mesmo e “passar” por uma sociedade, pode ser uma metáfora para muitas coisas. Qual é sua opinião sobre isso?

Stewart: Se você está escondendo algo essencial para si mesmo ou algo menor, como um estado de espírito que você acha inaceitável, é um sentimento terrível de não ser visto. É o pior, na verdade. Pense o qual horrível é quando você está tentando se mostrar para alguma pessoa e eles não enxergam? É horrível, mas o pior é não nem tentar ser visto, nem mesmo dar a alguém a oportunidade de te conhecer. É um sentimento de isolamento, e obviamente, há graus disso por toda a nossa vida, mas não há nada pior do que esconder as partes mais importantes e essenciais de si mesmo. Isso quer dizer que você está negando o que é ser você, e esse é o pior sentimento, confie em mim. Eu fiz muito disso. Eu tenho um trabalho que não permite estados de espírito – não na parte de atuação, mas na parte de promover isso.

Por que se você não está feliz o tempo todo, seu humor será analisado e dissecado?

Stewart: Sim.

Hoult: Ou mal interpretado.

Depois de viver por anos aos olhos do público, você precisa fazer um esforço para permanecerem presentes e reais em entrevistas, em vez de colocar sua armadura?

Kristen: Sim, é estranho. Não é um esforço, eu não tenho muita consideração sobre como isso vai soar para o mundo, pois eu não tenho controle sobre coisas assim. Toda conversa que eu tenho é completamente pessoal, e se uma pergunta é feita por alguém que se importa, eu vou chegar a esse ponto com você, entende o que eu quero dizer? Mas se tiver alguém sentado na minha frente que está me cutucando sobre detalhes que irá fazer seu site muito famoso aquela noite, eu apenas me calo. E eles vão criticar isso e ficar tipo, “Oh, você é tão reservada. Deve ser triste viver assim.” E eu fico tipo, “Não, isso é apenas com você, na verdade. Eu tenho boas conversas com seus companheiros. Você que é ruim em seu trabalho.”

Como vocês se sentem quando um filme acaba? Vocês são convidados a ter essa experiência intensa e emocional com alguém, e então, vocês não se veem novamente.

Hoult: Eu fiquei melhor nisso. Eu me lembro de que quando era criança, eu fiz um trabalho e minha mãe disse que por dois dias seguidos, eu subia para o quarto e chorava.

Stewart: Você estava triste.

Hoult: Por dois dias! Eu apenas chorava. É um sentimento horrível quando um filme acaba. Bom, depende do trabalho. Em alguns trabalhos, é um alívio quando acaba, mas em um trabalho assim, você não está pronto para o fim. Essas coisas só acontecem uma vez. Quanto mais velho eu fico, mais sentimental eu fico sobre isso. Quando eu era criança, eu era muito emocional e então eu passei por uma fase onde eu não ligava mais para isso e pensava, “É um trabalho, nós passamos por isso blá blá blá,” mas quanto mais velho eu fico, eu olho para um trabalho pensando: “Wow, é isso ai. Isso nunca vai acontecer novamente. Droga.”

Vocês já se sentiram estereotipado?

Hoult: Eu quero fazer coisas diferentes. Eu não quero que ninguém diga, “Oh ele apenas faz esse tipo de filme.” Eu acho que tenho sorte de ter conseguido ficar livre disso até agora.

Eu espero que depois do seu personagem em Mad Max, você tenha explodido essa noção de ser estereotipado.

Hoult: Esse é o tipo de objetivo. Fazer coisas diferentes, com pessoas boas e aprender. Você sempre fica melhor na atuação com a idade. É aquele tipo de trabalho onde quanto mais você cresce como pessoa, mas personagens interessantes você consegue.

Stewart: Ou não.

Alguns atores começam a se fechar em suas carreias. Você pode ver isso.

Stewart: Sim.

Hoult: Isso é verdade.

Stewart: O que você acabou de dizer é meio, uh, errado. [Ambos riem.]

Hoult: Eu acho que a armadilha que as pessoas caem é de acreditar que são bons atores pois disseram muito isso a eles.

Stewart: E então eles param de atuar.

Hoult: E você pode ver isso.

Stewart: “Essa pessoa é obcecada por si mesmo.”

Hoult: É isso que você não quer. Cada trabalho deve ser um desafio. E então você precisa fazer o seu melhor, eu acho.

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